Ouça esta história
Grátis · escolha uma voz
Era uma vez, em um vilarejo pequeno e acolhedor, onde o cheiro de café passado e bolo de fubá flutuava pelas janelas todas as tardes, uma corujinha branca chamada Suindara. Ela tinha as penas tão alvas quanto o algodão colhido no campo e olhos que brilhavam como duas jabuticabas maduras sob o luar. Suindara era muito especial, mas os adultos da vila contavam histórias antigas e um pouco misteriosas sobre ela. Eles diziam que, quando ela passava voando e soltava seu grito estridente, parecia o som de um pano de seda sendo rasgado ao meio. Por causa disso, criaram a famosa rasga mortalha lenda, imaginando que o som trazia notícias de preocupação, mas a verdade era muito mais doce, colorida e brilhante do que qualquer um ali poderia imaginar.
Na realidade, Suindara não estava rasgando nada de ruim; ela era a Costureira dos Sonhos do vilarejo. Toda noite, quando o sol se escondia atrás das montanhas e o céu ficava de um azul bem escuro, quase cor de amora, Suindara saía de seu ninho quentinho na torre da igrejinha. Ela carregava no bico uma agulha invisível feita de luz de estrela e uma linha de prata colhida do reflexo da lua nas águas do rio. O som que as pessoas ouviam, aquele "rrrá-tá-tá" seco e forte que cortava o silêncio, era o barulho dela abrindo as nuvens pesadas e cinzentas que queriam esconder o brilho do céu. Ela "rasgava" o véu da noite para que a brisa fresca pudesse passar e para que os sonhos mais bonitos e leves chegassem às janelas das crianças.
Uma noite, a pequena Marina, que tinha orelhas muito atentas e um coração cheio de curiosidade, decidiu espiar pela fresta da cortina de seu quarto. Ela ouviu o som característico: "Zás!". Em vez de se esconder debaixo das cobertas de lã, Marina abriu a janela com cuidado e sussurrou para o céu: "Dona Coruja, por que você faz esse barulho de rasgar lençol? Minha avó diz que é um segredo antigo!". Suindara, surpresa por ser notada com tanto carinho, deu um mergulho suave no ar, fazendo uma pirueta, e pousou delicadamente no parapeito da janela de Marina. Suas penas brilhavam com um toque de pó de estrelas, e ela inclinou a cabeça redonda para o lado, olhando para a menina com uma doçura infinita.
"Eu não estou rasgando lençóis para assustar ninguém, pequena Marina," explicou a corujinha com uma voz que parecia um sussurro de vento nas folhas das mangueiras. "Veja bem," continuou Suindara, apontando com a ponta da asa para uma nuvem pesada que pairava sobre a casa vizinha. "Às vezes, o céu da noite fica carregado de preocupações dos adultos e sombras que impedem o sono tranquilo das crianças. Meu trabalho é voar bem rápido e usar meu grito para rasgar essas sombras em mil pedacinhos, transformando-as em confete de luar." Marina arregalou os olhos, fascinada com a revelação. Ela percebeu que o som que antes parecia estranho era, na verdade, o som do cuidado e da proteção que vinha do alto.
Naquela noite mágica, Marina e Suindara tornaram-se grandes amigas. A corujinha convidou a menina para ser sua ajudante de terra, e Marina, do seu quarto, ajudava indicando onde as nuvens pareciam mais carregadas de bocejos tristes. "Ali, Dona Suindara, perto da mangueira do Seu João! Ele anda preocupado com a chuva," dizia Marina com entusiasmo silencioso. Suindara voava até lá e — zás! — rasgava a preocupação do ar com seu grito corajoso e libertador. O som ecoava pela vila, e as pessoas, em seus sonos profundos, começavam a sorrir entre os lençóis, sentindo uma leveza repentina que não sabiam explicar, mas que aquecia o peito como um abraço.
Com o passar do tempo, Marina começou a contar para todas as outras crianças da escola a verdadeira história por trás da rasga mortalha lenda. Ela explicava que Suindara era uma guardiã alada de branco, e que o barulho de tecido rasgando era o sinal de que o caminho estava sendo limpo para os sonhos passarem sem tropeçar. As crianças pararam de ter medo e passaram a deixar pequenos presentes nos parapeitos: um pedaço de fita colorida, uma semente de girassol ou apenas um desenho de uma coruja com um laço no pescoço. Suindara nunca se sentiu tão feliz e acolhida, e seu grito, antes incompreendido, agora era ouvido como uma canção de ninar que prometia um amanhecer radiante.
Agora, sempre que a noite cai e o silêncio abraça o vilarejo, Marina fecha os olhos e espera pelo som familiar que vem do céu. Ela sabe que, lá no alto, sua amiga de penas brancas está trabalhando duro, rasgando o cansaço do dia e tecendo um manto de paz sobre todas as casas. O som do "zás" agora é doce como um beijo de boa noite e suave como o toque de uma pena na bochecha. O mundo lá fora se acalma, as estrelas piscam alegremente e a vila inteira mergulha em um sono profundo, seguro e restaurador. Boa noite, Suindara; boa noite, Marina; e boa noite para todos que acreditam que o céu é o lugar onde os sonhos são costurados com amor.
Moral: Às vezes, o que parece assustador é apenas a bondade trabalhando de um jeito que ainda não entendemos.
Você gostou da história?
Compartilhe com outra família ou com sua turma, ou baixe para imprimir.
E se o protagonista fosse o seu pequeno?
A história da semana
Uma história grátis toda semana. Sem spam, cancele com um clique.
Gostou desta história?
Crie uma história sobre a amizade em que seu filho ou filha é o herói
Grátis e pronta em um ou dois minutos. Escreva o nome e uma ideia: nós escrevemos e ilustramos.
Criar a história grátisGrátis · Sua primeira história, sem cadastro
Ferramentas da História
Seu filho é o herói
Reescrever com o nome do seu filho como protagonista
Baixar em PDF
História completa com ilustrações pronta para imprimir
Grátis
Diploma de leitura
Um diploma para imprimir com o nome do seu filho. Também funciona para uma turma inteira.
Grátis
Presentear com esta história
Envie para a vovó, um tio ou quem você quiser, com uma dedicatória.
Grátis
Incorporar no seu blog ou sala de aula virtual
Copie um código e mostre esta história no seu blog, Moodle ou Google Sites.
Grátis
Adicionar perguntas de compreensão
Literal, inferencial, crítica, criativa e de vocabulário
Criar quiz de compreensão leitora
Perguntas de múltipla escolha sobre esta história
Criar página para colorir e imprimir
Desenho em preto e branco pronto para a sala
Traduzir história
Traduzir para outro idioma preservando o tom e o estilo
Editar história
Modificar a história com instruções específicas
Reescrever para crianças menores
Vocabulário mais simples, frases mais curtas
Reescrever para crianças maiores
Vocabulário mais rico, narrativa mais complexa
Regenerar ilustrações
Manter o texto, gerar novas imagens
Criar Minha História
Inspirado? Crie sua própria história!
Use IA para escrever uma história personalizada em segundos.
Criar Minha HistóriaHistórias que você também pode gostar

Saci-Pererê e a Floresta Encantada
Lucas se perde na floresta enquanto caça uma borboleta azul e encontra o lendário Saci-Pererê. Em vez de pregar peças, o travesso guardião da mata usa sua magia e conhecimento da natureza para guiar o menino em segurança de volta para casa.

Curupira: O Guardião da Floresta
Juca é um menino travesso que não respeita a floresta, até que se perde e encontra o lendário Curupira. Através de um passeio mágico, o guardião de pés virados para trás ensina ao menino que a natureza é um lar sagrado que todos devemos proteger.

Iara: A Sereia do Rio Amazonas
Aninha, uma menina que vive às margens do Amazonas, encontra a lendária sereia Iara. Nesse encontro mágico, Iara mostra as belezas submersas do rio e ensina por que a preservação das águas é vital para a sobrevivência da floresta e de todos nós.

O Boto Cor-de-Rosa e a Festa Junina
Nesta versão gentil da lenda amazônica, o lendário Boto Cor-de-Rosa transforma-se em um jovem elegante para ajudar o pequeno Kauê a superar sua timidez. Com palavras de sabedoria e um toque de magia, o Boto mostra ao menino que a alegria da Festa Junina é maior do que qualquer medo.

A Cuca e o Sono das Crianças
Nesta versão gentil do folclore brasileiro, a Cuca é uma bondosa guardiã da floresta que usa poções de flores e canções de ninar para proteger o sono das crianças. Quando o pequeno Tiago sente medo do escuro, a Cuca viaja pela noite para transformar seus temores em sonhos mágicos.

A Onça-Pintada: Rainha da Floresta
Juma é uma jovem onça-pintada que descobre os segredos do Pantanal sob a orientação de sua mãe. Através de lições sobre natação, paciência na caça e respeito ao território, ela aprende sobre o papel vital que desempenha no ciclo da vida na natureza.

A Capivara Mais Amigável do Brasil
Capi é uma capivara gentil que vive no Pantanal e mantém uma harmonia incrível com todos os animais, desde pássaros barulhentos até jacarés respeitosos. Através de sua calma e bondade, ela mostra que a amizade pode unir as criaturas mais diferentes da natureza.

A Tartaruga Marinha e o Mar de Estrelas
Tarta é uma pequena tartaruga marinha que acaba de nascer em uma praia brasileira. Guiada pelo instinto e pela luz das estrelas, ela enfrenta os perigos da areia para encontrar o seu verdadeiro lar: o vasto e mágico oceano.

A Amizade que Nasceu na Escola
Leo é organizado e silencioso, enquanto Tico é criativo e barulhento. Quando são forçados a trabalhar juntos em um projeto escolar, descobrem que suas diferenças são a chave para criar algo incrível e construir uma amizade verdadeira.
Explore livros e crie histórias
Você pode criar histórias em livros existentes, criar seus próprios livros com personagens ou escrever histórias independentes.



