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No coração da imensa Floresta Amazônica, onde as árvores parecem tocar o céu e o rio serpenteia como uma cobra de prata, vivia uma jovem índia chamada Naiá. Naiá não era como as outras jovens da sua tribo. Enquanto suas amigas se preocupavam com a colheita ou com as pinturas corporais para as festas, Naiá passava horas olhando para o céu, esperando o sol se pôr.
Ela era apaixonada por Jaci, a Lua. Os anciãos da tribo contavam que Jaci era um guerreiro valente e que, de vez em quando, escolhia as moças mais bonitas da floresta para levar consigo e transformá-las em estrelas brilhantes no firmamento. Naiá, ouvindo essas histórias, sentia seu coração bater mais forte. Ela não queria apenas ver as estrelas; ela queria ser uma delas, para brilhar ao lado de seu amado Jaci todas as noites.
As noites de Naiá eram de pura vigília. Quando a Lua surgia majestosa, banhando a selva com uma luz prateada e misteriosa, a jovem corria atrás dela. Ela subia as colinas mais altas, acreditando que, se esticasse os braços um pouquinho mais, Jaci a alcançaria e a levaria para o reino das luzes. Mas a Lua parecia sempre brincar de esconde-esconde, movendo-se para além das montanhas toda vez que Naiá chegava ao topo.

— Por favor, Jaci! — implorava ela, com lágrimas nos olhos. — Leve-me com você. Eu quero ser sua estrela!
Os meses passaram, e Naiá foi ficando triste e abatida. Ela já não comia bem e quase não dormia. Seu único desejo era o beijo da Lua. Os pajés da tribo tentavam avisá-la: 'Naiá, o destino das estrelas é no céu, e o seu é na terra, junto ao seu povo'. Mas o amor de Naiá era maior que o medo e maior que a razão.
Certa noite, quando a Lua estava cheia e mais brilhante do que nunca, Naiá chegou à beira de um lago profundo e sereno. As águas estavam tão paradas que pareciam um espelho mágico. Ao olhar para baixo, Naiá soltou um suspiro de alegria. Lá, bem no fundo do lago, estava a Lua! Jaci tinha descido para se banhar nas águas do rio e estava ali, ao alcance de suas mãos.

Sem hesitar um segundo, acreditando que finalmente o seu sonho se realizaria, Naiá mergulhou nas águas geladas. Ela nadou e nadou, tentando abraçar o reflexo prateado. Mas, quanto mais ela mergulhava, mais o reflexo parecia se afastar, desmanchando-se em mil ondinhas de luz. Naiá, exausta e sem fôlego, não conseguiu retornar à superfície. O silêncio das águas a acolheu, e ela adormeceu para sempre no fundo do rio.
Tupã, o grande espírito da floresta, viu tudo lá do alto. Ele sentiu uma profunda compaixão por Naiá. Ele sabia que ela não era uma moça comum e que seu amor pela Lua era puro e verdadeiro. Tupã decidiu que Naiá não seria apenas mais uma estrela no céu, onde ficaria distante de todos. Ele queria que sua beleza fosse admirada por todos na Terra, para sempre.
Assim, Tupã transformou a jovem índia em uma estrela diferente: uma estrela das águas. Na manhã seguinte, os índios da tribo encontraram, no local onde Naiá havia mergulhado, uma planta que nunca tinham visto antes. Era a vitória-régia.
A planta tinha folhas gigantescas, verdes e circulares, que boiavam calmamente sobre a água, fortes o suficiente para suportar um pássaro ou um pequeno animal. Mas o mais impressionante era a sua flor. Uma flor de pétalas brancas e perfumadas que só se abria à noite, quando a Lua aparecia no céu. Ao receber os primeiros raios de Jaci, a flor, que antes era branca, tornava-se levemente rosada, como se estivesse corando com o beijo de seu amado.
Naiá finalmente encontrou sua paz. Ela se tornou a rainha dos lagos amazônicos, a flor mais bela e majestosa da floresta. E até hoje, em todas as noites de luar, a vitória-régia abre suas pétalas para abraçar a luz de Jaci, provando que nem mesmo o rio mais profundo pode apagar um grande amor. As crianças da Amazônia, ao verem a flor gigante flutuando, lembram-se de Naiá, a menina que amou tanto a Lua que se tornou a estrela mais linda do jardim das águas.
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Episódio 2A Canção da Vitória-Régia3 páginas
Episódio 3A Tempestade na Floresta3 páginas
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